Introdução à Harmônica Cromática
Ulysses Cazallas

História

A harmônica é um dos mais modestos instrumentos, e ultimamente vem alcançando enorme sucesso internacional. E também é um dos mais baratos, um dos mais fáceis de ser transportado., o mais compacto e um dos mais fáceis de aprender.

Verifique em quantas gravações comerciais você ouve o seu timbre cristalino, singelo, sofisticado, excêntrico e exótico.

A harmônica tem sido ainda, grande companheira das pessoas que vivem solitárias: vaqueiros, marinheiros, pastores, faroleiros, exploradores, viajantes, etc.. Mais de um milhão destes instrumentos são vendidos anualmente no Brasil. Em 1966 foram vendidos mais de vinte milhões em todo o mundo.

Por muitos anos a harmônica foi negligenciada como instrumento musical, tratada como brinquedo e chamada gaitinha de boca (ou simplesmente gaitinha ). Nas regiões norte e nordeste do Brasil ela é conhecida pelo apelido de realejo. Em Portugal por harmônica de beiços.

Hoje, com seu sucesso, a harmônica atinge novas dimensões. Adquiriu categoria de instrumento musical sério, ouvido nos mais respeitáveis centros de concertos do mundo, muitas vezes interpretando obras musicais compostas especialmente para elas. Nas mãos e lábios de um virtuoso, sua contribuição para música de qualquer gênero ou estilo pode ser brilhante e ilimitada.

É possível que sua atual popularização tenha se dado a partir de Bob Dylan ou grupos como o Rolling Stones. No Brasil já existem mais de 200 harmonicistas profissionais e tudo começou por volta de 1940 com a ascensão do gaúcho Eduardo Nadruz (Edú da Gaita). Para citarmos pelo menos alguns dos melhores do mundo, precisaríamos de muitas páginas.

A harmônica original é um instrumento diatônico, isto é, sua escala é praticamente
formada de notas naturais pertencentes a uma determinada tonalidade, assim como por exemplo, só as teclas brancas de um teclado ou piano, estas formam a escala diatônica de dó maior. A cromática é uma harmônica bem mais cara, que pela engenhosa introdução de uma peça corrediça, separa as notas naturais das acidentadas (as pretas do piano ou teclado), permitindo que se execute a escala cromática (teclas brancas e pretas do piano ou teclado). Esse aperfeiçoamento foi idealizado em 1918 pelo harmonicista russo Borrah Minevitch, líder da mais conceituada orquestra de harmônicas de todos os tempos, Harmonica’s Rascalls, que tornou-se famosa através do filme “Sempre no meu coração”.

Histórico – Não se conhece bem a origem da harmônica. Pela tradição, ela nasceu como gaita, e atribuímos sua invenção ao imperador chinês Huang Ti, que há uns 4.500 anos construiu um instrumento chamado sheng, que significa voz sublime. Ele era feito de cinco tubos de bambu, cada um com uma palheta de comprimento diferente, para produzir a primitiva escala chinesa de cinco notas. Parece que um viajante do século XVIII levou um sheng para a Europa Ocidental, onde se tornou o antecessor do harmônico, do acordeão, da gaita gaúcha, bandoneom e harmônica.

Até hoje, a paternidade da harmônica é disputada pela Inglaterra, Áustria, França e Alemanha. Entretanto, o que sabemos é que um fabricante de órgãos, o alemão Cristian Buschmann tem tanto direito ao título de inventor do instrumento, como outro qualquer. Na década de 1820, Buschmann juntou 15 tubinhos afinados e ficou maravilhado ao descobrir que tinha criado um instrumento exótico, a gaita, que viveu em moda durante algum tempo em Viena. As senhoras usavam-na como pingente ao pescoço; os cavalheiros adaptavam-na ao castão da bengala. Mas a verdadeira febre pela gaita começou quando um viajante levou um dos instrumentozinhos de Buschmann para a pequena cidade de Trossingen, na orla da Floresta Negra na Alemanha. O relojoeiro Matthias Hohner começou a fabricar gaitas em 1857 e produziu 650 unidades nesse mesmo ano. Foi muito feliz em sua iniciativa e, em poucos anos conseguiu exportar as primeiras unidades para os Estados Unidos.

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