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Discurso 2005 |
DISCURSO PROFº ANTÔNIO MÁRIO CUNHA Não inicialmente, mas finalmente, quero dar boa noite e agradecer a presença de todos vocês. Em especial, tivemos alguns convidados que não puderam estar presentes: Maria Stella, do Consulado Geral dos EUA, professora e a supervisora Leni Cescato, da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo. Temos aqui a presença do senhor Alfredo, da Associação dos Condomínios da Cidade de São Paulo, professores do Souza Lima, alunos, amigos, pais, convidados, enfim, é um prazer muito grande recebê-los em nossa casa onde, de fato, hoje, é um dia muito especial pra mim, porque todo o sonho se realiza quando você faz seu trabalho com amor e com dedicação. Quando você faz com carinho, aquilo que você pretende de fato, e passa a viver esse sonho com os outros, o Universo conspira a favor. Voltado um pouco no tempo, em 1996, eu visitei a Berklee College of Music simplesmente para dizer que existia uma escola no Brasil bem intencionada e muito interessada em desenvolver um trabalho sério, com a música, com os professores, com os músicos, e principalmente ser um espelho deles aqui no Brasil, e, quem sabe, futuramente na América Latina. Fui recebido por um professor da parte de relações públicas que me disse o seguinte: em menos de um ano você receberá a visita de um de nossos professores. E com certeza em menos de um ano ligaram pra cá e agendaram uma visita. Recebi o músico Larry Monroe, o presidente do BIN, que é o Berklee International Network, com aproximadamente 12 países participantes deste sistema como: México, Brasil, França, Espanha, Finlândia, Malásia, Israel, Japão (com duas sedes), enfim... Temos cerca de 12 países que participam deste trabalho, onde realizam um curso de transferência de créditos internacionais. A princípio, ele veio visitar a escola e eu quis mostrar o que nós fazíamos. Fiz shows de alunos e de professores. Ele investigou nosso conteúdo programático, visitou a nossa biblioteca, enfim, visitou a escola toda. Na verdade, depois desta visita, ele me disse que tínhamos todas as condições de representarmos a Berklee no Brasil. Ele visitou este prédio, que também já era uma conquista minha e da minha equipe, pois o homem sonha e quando Deus quer os sonhos se realizam. Esta frase está escrita na placa de inauguração, porque dez anos antes de visitar a Berklee nos EUA, eu havia conseguido, com cinco anos de trabalho, passar por quatro sedes. Adquiri este imóvel através de um financiamento pelo governo federal. Por isso, depois de uma década, tinha condições de alavancar novos sonhos, novas metas. Eu queria estar ligado ao mundo através da música, pois ela é a linguagem universal. Todos nós nos comunicamos, ouvimos, sentimos, amamos e nos expressamos através dela. Pensando em fazer interação global, busquei o contato com a Berklee e, no mesmo ano da visita, em 97, passamos a representar a Berklee no Brasil. Em 98, fui para os EUA participar do congresso BIN anual e recebi o título de representante oficial da Berklee. Foi quando conheci numa curta conversa, de 10 minutos, nosso querido coordenador, hoje vice-diretor, Lupa Santiago para quem peço uma salva de palmas. Foi muito interessante: a minha esposa, Cristiane, vocês conhecem, foi àquela loja de brinquedos, visitar e comprar algumas bonecas. Eu falei: vai lá que vou conversar com esse menino aqui, porque ele me interessa. Conversei com Lupa por 10 minutos, isso em 98, e disse que quando ele voltasse ao Brasil, uma vez formado pela Berklee, teria espaço e um lugar para trabalhar comigo. E assim foi: ele veio várias vezes ao Brasil, fizemos pequenos trabalhos juntos e quando ele voltou definitivamente ao país, passou a ser meu parceiro, um homem de confiança, meu assessor. Hoje, de fato, tenho alta estima pessoal e profissional por ele, pelo carinho e dedicação que ele realmente presta ao Souza Lima, tanto quanto eu. O importante é que todos nós somos donos disto. Nós somos donos da estrutura que vazia não vale nada. Somos donos sim, no literal. Então, se o aluno, o professor, o diretor, todos literalmente vestimos a camisa, nós com certeza venceremos. Esta sempre foi a minha sugestão e orientação para a minha equipe e, graças a Deus, eu tenho hoje um apoio. Por muitos anos, eu diria que carreguei essa escola nas costas, sozinho. Essa é uma realidade, porque no Brasil tudo é difícil, é equivocado e tudo não é profissional. Quem quer fazer algo profissional de fato tem de bater muitas vezes a cabeça na parede para aprender e achar as pessoas certas. Hoje, estou muito feliz, tenho certeza absoluta que já achei. A iniciar pelo Lupa, que Deus me colocou à frente para ser meu parceiro, e pela minha equipe de professores, que hoje militam, trabalham, investem, tocam, cantam e participam de tudo que fazemos. Então, gostaria também de pedir uma salva de palmas para alguns professores aqui presentes, alguns já saíram. Vou chamar ao palco o professor Daniel Maudonnet, Jarbas Carvalho, Bob Wyatt, Rodrigo Morte, Marcelo Stasi e Marcelo Coelho. E também uma salva de palmas para Vítor Alcântara e Daniel Alcântara, que já foram, e ao Carlos Ezequiel. Aí vocês vêem que eu comecei sozinho neste palco e ele vai acabar repleto. Por quê? A música ao vivo é a vida do artista e o músico está no palco. Sei disso porque fui músico e ainda sou, porém, não tanto quanto vocês ou eles, mas sei que subir ao palco é sempre uma estréia. É de certa forma uma sensação muito diferente que só um músico sabe exprimir ou sentir. Ainda mais quando você faz um trabalho solo ou com uma banda, você sempre está estreando. É uma sensação fantástica e uma conquista de sensibilidade que o músico faz a cada show, a cada evento. É por isso que sempre lutei pelas produções Souza Lima, com mais de 3.300 eventos realizados desde 1983. Isso, inclusive, lavrado em ata, com assinaturas, onde pudemos passar a mais de 300 mil pessoas a mensagem da música, a linguagem universal. Então, acredito que conclui o trabalho didático na apresentação do nosso aluno. Aliás, muito bem dito pelo nosso orador nato, Fábio Alcântara, as produções tocam em vários lugares, como sala vip da TAM, Mosteiro de São Bento, enfim, muitos lugares. Em minha opinião, a música ao vivo é a vida do artista, então, tem que ter música ao vivo para o meu aluno! Eu me preocupo muito mais em produzir o meu aluno do que produzir meu professor. O professor já está de certa forma se produzindo: já tem uma carreira, um empresário. Na verdade, o aluno sim precisa do meu apoio como diretor, produtor, pagador de cachê simbólico ou até melhor, para que ele possa cada vez mais se inserir na música. “A música ao vivo é a vida do artista.” Saibam sempre que esta é a grande máxima do grande músico, aquele que está atuando. E o músico vai a todos, todos os lugares. Então, esse slogan também deve ficar de certa forma na cabeça de vocês, é o segundo da noite. O primeiro é “O homem sonha e quando Deus quer o sonho se realiza”. Existem algumas politicagens no meio das escolas e tudo mais. Eu sempre digo: “meu amigo, o músico tem que ir onde o povo está.” Você pode dar aulas, escolher estar conosco, mas o músico tem que ir a todos os lugares, a todas as escolas, a todos os teatros, para que possa de fato agir, sentir e se expressar. Finalmente, falando dos alunos, em especial desta nossa primeira turma, e como o Lupa diz: “Nunca mais haverá a primeira turma.” Nós ficamos bastante orgulhosos, porque quando fiz faculdade de música, começamos aproximadamente com 30 pessoas e acabamos em cinco. E aqui temos esse resultado, graças a Deus, desde o início, graças a este nosso corpo docente talentoso, graças a nossa direção e coordenação do Lupa e a Berklee, que na verdade mais do que ensinou, quis “matá-los” desde o início. Essa é a única escola do planeta que recebe abaixo-assinado para diminuir o nível do curso. Eu não conheço uma outra escola que tenha recebido abaixo-assinado por incentivo, então acho interessante comentar! Mas por que diminuir o nível do curso? Acho que a gente tem de fazer o curso ter cada vez mais nível. Vocês têm que se dedicar mais, estudar mais para o bem do curso e dos alunos. Nós acatamos imediatamente a necessidade deles, criamos um plantão de dúvidas e mecanismos para que estes alunos chegassem onde queriam, onde precisavam. Então, voltando a este trabalho, é muito importante estes alunos que acabam de sair daqui manterem a humildade simplesmente e principalmente. Vocês estão tendo uma luz no fim do túnel que é a carreira, a profissão e o bem estar de vocês e das suas famílias. Então, tratem isso com muito carinho, responsabilidade e postura. Muito bem, vamos entregar os diplomas. Vou pedir à Flávia que chame os alunos e faça o trabalho de secretária. Depois, entregaremos também uma pequena lembrança do dia de hoje. Como não conseguimos fazer um anel, não sabíamos o número do dedo de vocês, vamos deixar o anel por conta dos pais. Mas vou dar a vocês o que simboliza pra gente a clave de Sol. Na verdade, o logotipo do Souza Lima foi criado por mim, como eu disse, no começo eu fazia tudo praticamente. Então, nós temos a clave de Sol e a clave de Fá, pra quem conhece. A clave de Sol representa a luz. Nós temos que pensar sempre no nosso astro rei, o Sol, porque somos iluminados por ele, e a clave de Fá, abraçando a clave de Sol, que para mim quer dizer harmonia no meio musical, harmonia entre o ser humano, entre professores e alunos, entre os funcionários. É assim que conduzo minha escola, sempre tentando plantar harmonia. Então, a clave de Sol e a clave de Fá são um dos símbolos da escola. Até o momento, eu só consegui a clave de Sol, a clave de Fá vai ser feita aqui com o tempo, mas a clave de Sol está aqui para vocês. Então, vamos chamar os alunos, vocês vão ficar no palco recebendo as palmas, os pais fotografando. É um momento de honra, um momento de vitória. Parabéns a todos os formandos da primeira turma da Faculdade Souza Lima & Berklee. Parabéns! |
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