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1 Cheguei lá e tal...
2 Canção para ela / Balão
3 Pérola
4 Frevo do cheiro
(nois sofre + nois goza)
5 Friii-tz
6 A lira e a gira
7 Balão (fragmento)
8 Ainda bem que não flalta fauta
9 Ufa!
10 Conforme o dia (Filomena)
11 Cheguei lá e tal... II
12 Friii-tz II
13 Maister Tekukoff: Teco Cardoso - Voz
14 Viva Rodgers
15 Pérola II |
LP original de 1980
Faixas inéditas gravadas durantes
as sessões do LP (1980)
Este CD traz, pela primeira vez, as sessões completas do único álbum do trio
DIVINA INCRENCA, pioneiro da cena instrumental vanguardista paulistana
entre 1976 e 1981, ao lado de conjuntos com o Grupo Um e o Pé Ante Pé.
Além de um encarte especial de 20 páginas com fotos inéditas e textos dos
próprios artistas, esta edição traz ainda 6 faixas bônus inéditas.
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FELIX WAGNER
Nascido em Wolfsbur, Alemanha, começou seus estudos aos 11 anos de idade, apresentando-se como pianista em diversos conjuntos de jazz na Europa. Aqui no Brasil estuda
com Amilton Godoy em meados dos anos 70. Seu interesse pelo clarinete vem
desta época, tendo estudado com Hector Costita. Forma com Azael Rodrigues o duo de
piano e bateria Divina Increnca, que algum tempo depois se torna um trio com a entrada
do baixista Rodolfo Stroeter. Em paralelo ao Divina, Felix participou da banda de Arrigo
Barnabé no festival da TV Tupi e no LP “Clara Crocodilo”, e do trio Symetric Ensemble
com Rodolfo e Lelo Nazario em excursão na Europa. No início dos anos 80 participa de
concertos e discos do Grupo Um, dos irmãos Lelo e Zé Eduardo Nazario e Rodolfo
Stroeter. Nas últimas duas décadas tem trabalhado e morado na Europa.
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RODOLFO STROETER
Nascido em São Paulo, iniciou seus estudos musicais com o maestro Luiz Roberto de
Oliveira e o baixista Zeca Assumpção. No fim dos anos 70 integra o quinteto de Nelson
Ayres, embrião do Pau Brasil. Entra no Divina Increnca e forma o trio Symetric Ensemble
com Felix Wagner e Lelo Nazario. Substitui Zeca Assumpção no Grupo Um, posição
que manteria até meados dos anos 80. Nessa década e na seguinte lidera o Pau Brasil,
grupo de ponta do instrumental brasileiro por onde passaram Nelson Ayres, Azael
Rodrigues, Paulo Belinatti, Nenê, Lelo Nazario e outros. Lança seu disco solo em 1985,“Mundo”. Tem se destacado como compositor e produtor de grandes nomes da música
nacional.
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AZAEL RODRIGUES
Nascido em São Paulo, estudou percussão com Claudio Stephan e Comunicação na
USP. Formou o duo Divina Increnca em 1976, que logo se tornaria um trio, com Felix
Wagner e Rodolfo Stroeter. Participou do Festival de MPB da TV Tupi no grupo de Arrigo
Barnabé. Fundou o Premeditando o Breque (Premê) e o Sossega Leão, assim como
o Grupo Pau Brasil. Como arranjador, em 1993 fez o arranjo de metais para um dos
sucessos de Jorge Benjor, “Engenho de Dentro”. Em temporada de três anos nos Estados
Unidos (2001/2004), tocou com Claudio Roditi, considerado um herdeiro musical
de Dizzy Gillespie e Don Wilner, entre 2002 e 2004. Atualmente seu foco é seu conjunto
Azael Rodrigues & Network e sua atividade como didata no Conservatório Souza Lima.
SODADES DE ZAN PAOLO
TEGNO sodades dista Paulicéa,
dista cidade chi tanto dimiro!
Tegno sodades distu çéu azur,
Das bellas figlia lá du Bó Ritiro.
Tegno sodades dus tempo perdido
Sopano xoppi uguali d'un vampiro;
Tegno sodades dus begigno ardenti
Das bellas figlia lá du Bó Ritiro.
Tegnho sodades lá da Pontigrandi,
Dove di notte si vá dá un giro
I dove vó spiá come n'un speglio
As bellas figlia lá du Bó Ritiro.
Andove tê tantas piquena xique,
Chi a genti sê querê dá un sospiro,
Quano perto per caso a genti passa,
Das bellas figlia lá du Bó Ritiro.
Tegno sodades, ai de ti - Zan Baolo!
Terra chi eu vivo sempre n'un martiro,
Vagabundeano come un begiaflore,
Atraiz das figlia lá du Bó Ritiro.
Tegno sodades da garôa fria,
Agitada co sopro du Zefiro,
Quano io dormia ingopa o collo ardenti Das bellas figlia lá du Bó Ritiro.
Juó Bananére (Alexandre Marcondes Machado) in Divina Increnca (1924) |
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Por que ouvir?
O trabalho cuidadoso de dez meses para remasterização. Traduzir para o agora,
transcriar - a partir de uma matriz que nasce de elementos jazzisticos e procedimentos
comuns a música erudita, um foco na densidade e rigor de linguagem que
caracterizam a música de substância que não se utiliza de soluções "da moda" -
junte-se a isso os elementos novos, temas que não entraram na primeira edição
(mais faixa ao vivo) e ainda um sentido de continuidade e mais informação (os dois
lados de um LP e a duração de um cd) possibilitadas pelo novo formato.
Com o CD obtém-se uma radicalização no sentido apontado pelo LP. A influência
da música erudita fica mais explícita com o uso da repetição dos temas que ressurgem
com variações de intensidade e timbres. O jazz comparece com uma pitada
mais viceral na (ao vivo) "Viva Rodgers" gravada num especial feito pelo e para o
grupo na TV Cultura. Até a voz do apresentador funciona como elemento instigante
e torna-se motivo para o procedimento musical. O texto falado originalmente é editado,
com cortes que trazem um retrato sintético do que é o trabalho (o verbo no
presente, a musica que acontece agora + processo metalinguístico) e que em determinado
momento se superpõe a fragmentos musicais pertinentes aos valores
exprimidos pelo próprio texto.
Um convite; procure ouvir o texto como um alemão (o CD vai ser distribuido na
Europa) que não se prende a significados do texto e "ouve" o som das palavras.
Uma frase que tem sua curva (a voz tranformada vai do grave ao agudo) trazendo
novo sentido às palavras a partir do procedimento musical. E finalmente o personagem
que fala: Teco Cardoso, grande talento do saxofone, apresentador do programa
e colaborador desde sempre do "Divina".
A tecnologia situa o discurso do timbre e uso do espaço empregado pelo grupo. O
"filtro" (elementos timbristicos, planos retrabalhados, novas edições) da tecnologia
de ponta obtida com trabalho em estúdio de Lelo Nazario renova e clareia as
sonoridades e adiciona outros elementos `a espacialidade, planos e caráter sonoro.
Uma referência pra o trabalho do "Divina" seria o trio norte americano Mark,
Medesky e Wood, o “darling” da crítica americana na música criativa. O trio será o
novo M, M & W (o cd "Divina Increnca" vai só sair em Janeiro de 2008).
Dois nomes, não é muito. São poucos e por isso mesmo únicos.
PS: Por que ver?
A capa do CD é um brinde luxuoso, foi uma satisfação enorme ter conhecido um
artista como Miecio Caffé. Felix, Rodolfo e Azael iam para casa dele no domingo,
e ele pedindo pra não comentar o resultdo do futebol por que ele queria ver "ao vivo"à noite na hora do tape. Puderam frequentar aquele espaço coberto de discos (sua
coleção de 7000 itens foi doada ao MIS). Amigo do João Gilberto, contava orgulhoso
que o cantor ia pinçar pérolas na sua coleção e acabava por dormir no sofá
da discoteca! Miecio trabalhou no lendário Gazeta Esportiva fazendo caricaturas.
Foi o primeiro a fazer Pelé e Garrincha. Fez capas de disco memoráveis como a de
Orlando Silva. Caricaturou Milton Nascimento, o Ministro Gil…
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